quarta-feira, 29 de julho de 2009

interconexões


Milhões de neurônios fazendo suas interconexões e tudo que eu penso e tudo que vejo é fruto dessa relação, são células bem organizadas decidindo o que fazer e o que vão ser. Um erro genético ou uma falha na conexão é como um bug no sistema de Software. São únicas, insubstituíveis e desempenham inúmeras funções. São o meu pensar, o meu sentir, o meu falar, representando a minha evolução e a minha singularidade. A mielina me garante a rapidez com que tudo se propaga, e as bombas me garantem o potencial de ação. Tudo preciso, coeso e bem engenhado nos garantindo assim nossos arquivos, nossas pastas compartilhadas e zipadas, arquivos inúmeros que nem a mais nova maquina poderia memorizar, mas uma coisa ainda invejo... um ícone escrito lixeira e uma opção que nos dá a oportunidade de esvaziar totalmente esse espaço!!!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Páginas


Virar as páginas... Quando se trata de um livro queremos devorá-las, porém quando o assunto é sobre nossas vidas refletimos a cada página passada.
Hoje sinto que um capítulo de minha história vem chegando ao fim, não sei bem do que se trata, mas sei que hoje me acomete uma intensa nostalgia.
Uma dúvida voraz é semeada em minha mente, e cresce como parasita consumindo todos os meus pensamentos positivos. Não sei bem ao certo o quão bom eu fui, quão presente eu estive, se estudei o suficiente, se amei corretamente, se me dediquei aqueles que se dedicaram a mim.
Os amigos parecem ficar mais distantes, apenas guardados nas lembranças, as pessoas próximas ganham marcas do tempo e meu rosto mesmo já não é mais o mesmo, digo que estou terminando um quarto de minha história e que a tendência é que as páginas seguintes se tornem mais duras e mais sofridas.
Muitos medos me assombram, mesmo sabendo que tudo não passa de um ciclo, tenho medo das perdas, medo que o saldo final não seja positivo.
Ah se eu fosse escritora da minha própria história... terminaria com um grande final Feliz, colocaria os amigos que eu amo em casinhas próximas a minha, daria uma vida longa aqueles que já passaram da meia idade para que esses também desfrutem do meu final, teria uns dois ou três filhos e casaria com um homem mais amigo que amante.
Infelizmente sou escritora parcial e tenho o destino, pérfido e bazófio, como co-autor dessa história.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

COTIDIANO



Com tantos problemas na cabeça ao chegar a minha casa decidi ir correr. Corri por alguns minutos, mas parecia que o peso dos meus pensamentos pesava em minhas pernas, não consegui fazer metade do percurso que estou acostumada a fazer, algo me mandava parar.
Parei, e me encantei, lugar tão comum, lugar de todos os dias, mas nunca se quer me dei o trabalho de olhar o quão mágico tudo se realiza.
A noite já havia se instalado exceto por uma pequena faixa marcada em cores no horizonte, e a areia úmida, muito invejosa, diga-se de passagem, fazia questão de refletir com ainda mais glamour todas estas cores.
Foi um momento meu. O vento, muito meu amigo, veio ao meu ouvido cochichar alguns conselhos, as ondas, preocupadas, beijavam os meus pés calçados como em um gesto de conforto e toda aquela cena acalmava tanto meu coração que parecia mesmo um carinho de mãe.
Corredores passavam por ali e deixavam as suas marcas, quebravam a harmonia das cores na areia úmida, certamente eles nem notavam a beleza do lugar.
Eu ali parada só conseguia pensar em agradecer, agradecia aos meus pensamentos que pesaram, as minhas pernas que me doeram e os poucos minutos gastos para descobrir o quão lindo é tudo que é cotidiano.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Carta a um amigo


Se tantas vezes sofri por ser magoada sinto que o pior mesmo é magoar outrem. Perdoe-me, caro amigo a minha grande fraqueza, pois ela se resume a minha juventude, a minha falta de experiência e aos meus medos em absoluto.
Sentimentos fortes não moraram em mim, e o que eu senti não foi suficiente para que me arriscasse tanto. Fraca, eu sei bem que fui e tive medo de me expor. Por favor, entenda e se possível perdoe-me!
Triste não pode ser aquele que ama, triste é o que rejeita o amor e este sim habita a escuridão, pois caso contrário seria insano buscarmos tanto a felicidade em um amor.
Não se culpe. Não me culpe. Responsáveis somos nós! Não seria justo em um só doer. Não seria justo um só sofrer.
Amou-me tão cedo e agora vejo que o sentimento brota em ti, homem de tão bom caráter, de tão doces gestos impossível alguém melhor resistir.
Queria ter te tirado da prisão e poder seguir segurando tua mão, mas não foi assim e agora resta a ti, meu querido, seguir em frente e libertasse, pois ainda é cedo e tudo está tão claro que só resta abrir-te os olhos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Caminhos


Situação estranha para entender, razão é essa tão desatenta, busca o triste quando contente, faz do calvário a cena presente. Alimenta o sonho que não convém, amargura esta vida a única que tem, machuca com o peso do fardo de outrem. Suplica amor por onde passa, joga a todos a tua graça, olha o alvo e não a caça, impõem a si mesmo a ameaça. Vive triste a vida desregrada, continua só entre as pessoas casadas, percebe o quão dura é a estrada, mas mesmo assim prefere ir andando em pedras do que pela via recapiada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ocelo


Ora eles me fitam e não me dizem nada.
Vigiam o meu sono e tiram o meu sossego,
Eles percorrem, avaliam e aprovam,
Fazem de mim sua experiência.
Eles despem, vestem, indagam-me
Fruto da minha própria incerteza.
Ora são cerrados e tão suaves,
São afáveis e de grande sossego,
Fazem, então, repousar-me em eterna certeza.

INEQUAÇÃO



Vinte e quatro anos é o que dura uma relação
Vinte e quatro anos é o que acaba com a mesma paixão
Vinte quatro dias e nenhuma solução
Vinte e quatro motivos para uma separação
Vinte quatro dúvidas para essa situação
Vinte e quatro anos: idade da indecisão