sexta-feira, 22 de maio de 2009

COTIDIANO



Com tantos problemas na cabeça ao chegar a minha casa decidi ir correr. Corri por alguns minutos, mas parecia que o peso dos meus pensamentos pesava em minhas pernas, não consegui fazer metade do percurso que estou acostumada a fazer, algo me mandava parar.
Parei, e me encantei, lugar tão comum, lugar de todos os dias, mas nunca se quer me dei o trabalho de olhar o quão mágico tudo se realiza.
A noite já havia se instalado exceto por uma pequena faixa marcada em cores no horizonte, e a areia úmida, muito invejosa, diga-se de passagem, fazia questão de refletir com ainda mais glamour todas estas cores.
Foi um momento meu. O vento, muito meu amigo, veio ao meu ouvido cochichar alguns conselhos, as ondas, preocupadas, beijavam os meus pés calçados como em um gesto de conforto e toda aquela cena acalmava tanto meu coração que parecia mesmo um carinho de mãe.
Corredores passavam por ali e deixavam as suas marcas, quebravam a harmonia das cores na areia úmida, certamente eles nem notavam a beleza do lugar.
Eu ali parada só conseguia pensar em agradecer, agradecia aos meus pensamentos que pesaram, as minhas pernas que me doeram e os poucos minutos gastos para descobrir o quão lindo é tudo que é cotidiano.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Carta a um amigo


Se tantas vezes sofri por ser magoada sinto que o pior mesmo é magoar outrem. Perdoe-me, caro amigo a minha grande fraqueza, pois ela se resume a minha juventude, a minha falta de experiência e aos meus medos em absoluto.
Sentimentos fortes não moraram em mim, e o que eu senti não foi suficiente para que me arriscasse tanto. Fraca, eu sei bem que fui e tive medo de me expor. Por favor, entenda e se possível perdoe-me!
Triste não pode ser aquele que ama, triste é o que rejeita o amor e este sim habita a escuridão, pois caso contrário seria insano buscarmos tanto a felicidade em um amor.
Não se culpe. Não me culpe. Responsáveis somos nós! Não seria justo em um só doer. Não seria justo um só sofrer.
Amou-me tão cedo e agora vejo que o sentimento brota em ti, homem de tão bom caráter, de tão doces gestos impossível alguém melhor resistir.
Queria ter te tirado da prisão e poder seguir segurando tua mão, mas não foi assim e agora resta a ti, meu querido, seguir em frente e libertasse, pois ainda é cedo e tudo está tão claro que só resta abrir-te os olhos.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Caminhos


Situação estranha para entender, razão é essa tão desatenta, busca o triste quando contente, faz do calvário a cena presente. Alimenta o sonho que não convém, amargura esta vida a única que tem, machuca com o peso do fardo de outrem. Suplica amor por onde passa, joga a todos a tua graça, olha o alvo e não a caça, impõem a si mesmo a ameaça. Vive triste a vida desregrada, continua só entre as pessoas casadas, percebe o quão dura é a estrada, mas mesmo assim prefere ir andando em pedras do que pela via recapiada.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ocelo


Ora eles me fitam e não me dizem nada.
Vigiam o meu sono e tiram o meu sossego,
Eles percorrem, avaliam e aprovam,
Fazem de mim sua experiência.
Eles despem, vestem, indagam-me
Fruto da minha própria incerteza.
Ora são cerrados e tão suaves,
São afáveis e de grande sossego,
Fazem, então, repousar-me em eterna certeza.

INEQUAÇÃO



Vinte e quatro anos é o que dura uma relação
Vinte e quatro anos é o que acaba com a mesma paixão
Vinte quatro dias e nenhuma solução
Vinte e quatro motivos para uma separação
Vinte quatro dúvidas para essa situação
Vinte e quatro anos: idade da indecisão

Devaneio


Para que te quero tão próximo a mim?
Machuca-me, maltrata-me e faz de mim objeto de tua ira.
Ser de tão baixa perspicácia, que ama simplesmente sem mais além
Quimera, minha amiga inseparável, rogue por mim e intervenha
Faça desse ser alguém mais sábio, que veja além de suas fantasias inconseqüentes
Oh pensamentos, tão divagados se façam simples e mais coeso
Faça dessa mulher que ladra alguém mais fugaz e com menos devaneios

quinta-feira, 19 de março de 2009

Insanidade


Paredes, livros, eletrônicos e meu próprio eu, todos eles cansados de ouvir minhas reclamações. Eu falo todos os dias, mas raramente alguém está a me escutar, eu grito internamente e minha mente se põem a chorar, eu corro dos meus pensamentos, mas eles sabem bem como me cercar.
Eu pulo, danço e canto... Sozinha, mas morrendo de vontade que alguém se ponha a espiar.
Um beijo no espelho, uma frase ensaiada, um gesto, um charme, um sorriso. Volto a minha infância e penso nas pessoas amadas.

Liberdade e solidão, eu conheço bem o significado...

Um afago, um chhhhhheirinho de feijão, o Ziggy latindo no portão, a voz doce de uma senhora e o som do motor do carro da minha irmã.
São doze horas, a mesa farta, a mesa cheia, o pai falando com a mãe, as frutas pelo chão, foi dia de feira... Raimunda, vem come!!!! E todos comem, e todos riem, e o Ziggy reclama, arranha, procura seu quinhão. E eu lavo, eu seco, eu guardo e eu vejo TV. Não!!!!! sou eu , eu, euuuuuuuu.... E mais tarde tem seção da tarde, o controle é meu, o sofá é meu, manheeeeeeeeeee...........

Aqui tudo é meu, só meu, eu to sozinha, é meio dia e ninguém se põem a comer.