segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ocelo


Ora eles me fitam e não me dizem nada.
Vigiam o meu sono e tiram o meu sossego,
Eles percorrem, avaliam e aprovam,
Fazem de mim sua experiência.
Eles despem, vestem, indagam-me
Fruto da minha própria incerteza.
Ora são cerrados e tão suaves,
São afáveis e de grande sossego,
Fazem, então, repousar-me em eterna certeza.

INEQUAÇÃO



Vinte e quatro anos é o que dura uma relação
Vinte e quatro anos é o que acaba com a mesma paixão
Vinte quatro dias e nenhuma solução
Vinte e quatro motivos para uma separação
Vinte quatro dúvidas para essa situação
Vinte e quatro anos: idade da indecisão

Devaneio


Para que te quero tão próximo a mim?
Machuca-me, maltrata-me e faz de mim objeto de tua ira.
Ser de tão baixa perspicácia, que ama simplesmente sem mais além
Quimera, minha amiga inseparável, rogue por mim e intervenha
Faça desse ser alguém mais sábio, que veja além de suas fantasias inconseqüentes
Oh pensamentos, tão divagados se façam simples e mais coeso
Faça dessa mulher que ladra alguém mais fugaz e com menos devaneios

quinta-feira, 19 de março de 2009

Insanidade


Paredes, livros, eletrônicos e meu próprio eu, todos eles cansados de ouvir minhas reclamações. Eu falo todos os dias, mas raramente alguém está a me escutar, eu grito internamente e minha mente se põem a chorar, eu corro dos meus pensamentos, mas eles sabem bem como me cercar.
Eu pulo, danço e canto... Sozinha, mas morrendo de vontade que alguém se ponha a espiar.
Um beijo no espelho, uma frase ensaiada, um gesto, um charme, um sorriso. Volto a minha infância e penso nas pessoas amadas.

Liberdade e solidão, eu conheço bem o significado...

Um afago, um chhhhhheirinho de feijão, o Ziggy latindo no portão, a voz doce de uma senhora e o som do motor do carro da minha irmã.
São doze horas, a mesa farta, a mesa cheia, o pai falando com a mãe, as frutas pelo chão, foi dia de feira... Raimunda, vem come!!!! E todos comem, e todos riem, e o Ziggy reclama, arranha, procura seu quinhão. E eu lavo, eu seco, eu guardo e eu vejo TV. Não!!!!! sou eu , eu, euuuuuuuu.... E mais tarde tem seção da tarde, o controle é meu, o sofá é meu, manheeeeeeeeeee...........

Aqui tudo é meu, só meu, eu to sozinha, é meio dia e ninguém se põem a comer.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Amor senil


Olho para as formas que os anos persistem em guardar, um colo marcado que minha cabeça deseja descansar. São formas feitas pelo divino oleiro que plantaria a ira no mais perfeito imortal.

O tempo desvia para não te tocar e a morte certamente se esconde com medo de te encarar. É uma beleza alva que brilho maior não tem o sol, são raios tão intensos que marcam sua imagem em meus pensamentos e que me faz chamar-te inconscientemente.

O meu EU


Há pena, há grito, há um enorme conflito... em um mesmo eu chega haver mais de um elemento... é minha alma que não sussega, é o meu corpo que atormenta... trevas... luz. Um raio poderia vir para me banhar. Sou apenas mais uma em um mundo tão confuso, ser jovem ser adulto.... prazeres, responsabilidades, quero um beijo e um escarro... sou Vieira e sou Bocage, mas quero mesmo é terminar como um dos poetas do pentateuco.... tenho amores, tenho tristezas e vivo como as funções, ora no mínimo e ora no maxímo... Crio dúvidas como lazer... brinco com meus pensamentos... mas quem assim não o faz????

Fases


No primeiro momento o sabor... Como nunca antes provado, no começo não muito agradável, mas a cada momento me despertava desejo, vontade de querer mais

Logo veio a animação... Os olhos grades, os sorrisos exagerados, as lutas, os romances, as roupas e a criatividade, isto tudo me levou para um mundo idealizado, uma vontade de viver no real o que era apenas imaginário.

E veio por último a realidade... Um pouco torta, desajeitada, mas adorável. Como se não mais estivesse na ilusão...